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18 de junho de 2009

Plenitude amiúde

Uma vontade de desistir é a coisa mais perseverante que tenho em mim. Retumbante. Sempre esperando um sinal dos céus mostrando o caminho, por mais que o sinal já esteja explícito. O Atalho não existe, conforme-se porra! Uma corrida agora cairia bem, traria realização, euforia, mexeria com a estagnação. A lama parada e fétida, grossa e suja, impregna. Eu morro de vez em quando, me entrego sem motivo aparente. Sempre imagino o dia em que a luta deixe de existir, e restem os momentos plenos. Plenitude amiúde.

31 de maio de 2009

O Nome do Avatar

Tô nem ai se as pessoas lêem ou não o que escrevo. Escrevo porque gosto e pronto. Nem ai se meu chefe não me valoriza, ganho meu salário e vou pra casa, quando não for me usar mais, me demita. Me lixando se meus amigos fingem escutar o que digo ou se reparam se estou igual ou diferente. Não me importo com a opinião dos outros, tenho centenas de canais de TV. Nem ai se serei um talento reconhecido ou um gênio obscuro. Dane-se a vontade dos que querem que eu tenha vontade. Foda-se se estou mentindo. "Nem ai" é o nome do meu avatar, já que por dentro ninguém nunca vai saber o que sou. Tenho um milhão de amigos, e não sou mais que um bip, quando muito.

28 de maio de 2009

Hoje não mais

Hoje as ideias não pertencem a ninguém, e pertencem a todos ao mesmo tempo. Os pensamento são menos intimistas, pouco se guarda para si. Pouco se poupa, pouco se reserva. Não há mal ou bem nenhum nisso - embora meu texto esteja cheio de ranço, racionalmente não há mesmo mal nem bem. Há o presente, "o que é", e há o futuro, "o que será" - o que haverá amanhã ou daqui a 8 segundos é muito diferente de tudo o que houve nos 800 milhões de anos antes, e no entanto é exatamente a mesma coisa, mudanças menores ou maiores, mais ou menos bruscas. Seremos seres humanos até o dia em que nos virmos transformados em outro bicho. Quero virar mico de circo se isso já não aconteceu.

26 de abril de 2009

O Monstro I

O Monstro ganha vida e salta da tela, sai de dentro de nós, por nós, para nos mostrar o que somos, do realmente somos feitos. O monstro sai de nossa casca bela, de nosso casulo protegido, e aparece à nossa frente tão feio quanto de fato é, talvez mais feio até. Eu suspiro e sigo em frente, com a realidade chocante dispersa em meio a algo que parece menos que real, um sonho onde tenho a certeza de que estou acordado. Onde há espaço a dor preenche, ela invade na primeira oportunidade, doença inoportuna. Depois a dor cede, dissipa-se, confunde-se com a inevitabilidade da vida, vida é dor, entremeiada de prazeres fugazes e obviamente idiotas. O monstro dorme um pouco, e me deixa dormir por algum tempo. Mas está lá, mora com todos os pequenos e grandes pecados, alimenta-se da nossa culpa, fomenta culpabilidade. O trabalho é árduo, matar o monstro exige técnicas avançadas demais, demoradas demais. Melhor faze-lo dormir, acariciar seu dorso, fazer amizade com o monstro e mantê-lo sob relativo controle. Ele morrerá conosco, talvez faça descendentes conosco, mas nosso monstro pessoal vai para o túmulo, talvez um pouco antes de nós, ou talvez segure nossa mão quando a hora chegar.