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6 de março de 2010
Paralelepípedos
Ao que parece, ser alguém é um organismo de coisas que, no conjunto, faz de você alguém. Não adianta ser bom amante se o coração não aguenta. Não adiante ser conhecedor de vinhos e apreciador de alta gastronomia se seu bolso não comporta. Não adianta ter boas idéias, se você não as executa ou não arranja quem as execute. Não adianta ter certos pontos positivos acessórios, auxiliares, e não ter os pontos positivos principais, que darão sentido aos demais... Isso pode soar meio Darwiniano, quem tem come, quem não tem espera, e de certa maneira é mesmo. E é o que é. Mas é impossível deixar de reparar que tantas coisas boas em tantas pessoas são desperdiçadas todos os dias. Ocorre que o poder construtivo pouco ou nada tem a ver com essas conjecturas chamadas coisas boas, do reino do "e se"... uma mente construtora galga recusos, consegue o necessário para colocar a coisa em pé, quer seja uma pirâmide ou um arsenal atômico. E a galera do "what if" fica juntando paralelepípedos para construir palanques para suas excelentes ideias, enquanto morrem devagar.
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2 de novembro de 2009
Quixote
Ao meu redor mais e mais sonhadores rendem-se ao mundo real, deixando de lado ideais e ideias para ingressarem na anárquica rotina de fazer sempre um pouquinho todo dia. Essas crianças vão armando-se, ou sendo armadas, até os cabelos, para que enfrentem a guerra de serem responsáveis e portanto responsabilizáveis por compromissos dos quais não se atreverão a fugir, com risco de perderem tudo o que construíram, castelos de cartas mal empilhadas que não alcançarão nem atingirão Deus, não espalharão a discórdia mas também não trarão concordância, apenas um breve êxtase durante suas construções, e uma rápida - porém esperada - decepção diante de sua inevitável queda.
O exército de sonhadores, arregimentados pelo universo do Real, farão falta momentânea, mas depois retornarão, assim que perceberem que sua proposta atual não contempla felicidade. O problema é que esse tempo até tal percepção, esse "assim que", pode ser longo, e a volta, tardia.
Enquanto isso, no mundo da fantasia, as baixas são enormes. Os Quixotes que ficaram quase não dão conta dos moinhos de vento, pás sobre a cabeça, pés sem raízes. "O que eles pretendem?", perguntam-se os realistas, montados em suas razões, de posse de seus argumentos bem estudados e marcas que os definem em castas. A resposta é complexa, mas a tentativa de uma síntese vai aqui: Olhar por outros ângulos, declarar a morte do Certo e bradar "longa vida" ao Duvidoso.
O exército de sonhadores, arregimentados pelo universo do Real, farão falta momentânea, mas depois retornarão, assim que perceberem que sua proposta atual não contempla felicidade. O problema é que esse tempo até tal percepção, esse "assim que", pode ser longo, e a volta, tardia.
Enquanto isso, no mundo da fantasia, as baixas são enormes. Os Quixotes que ficaram quase não dão conta dos moinhos de vento, pás sobre a cabeça, pés sem raízes. "O que eles pretendem?", perguntam-se os realistas, montados em suas razões, de posse de seus argumentos bem estudados e marcas que os definem em castas. A resposta é complexa, mas a tentativa de uma síntese vai aqui: Olhar por outros ângulos, declarar a morte do Certo e bradar "longa vida" ao Duvidoso.
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